Lisboa · Porto · outubro de 2026
O que se passou
Três madrugadas em que a polícia de intervenção desmontou à força as acampadas pelo direito à habitação, contadas pelos vídeos de quem lá estava. Da mais recente para a mais antiga. As horas indicadas são as da publicação, não do momento filmado.
Lisboa e Porto em simultâneo, por volta das 2h00, depois das manifestações de 24 de outubro. A PSP fala em 31 detidos e 11 feridos, 3 deles polícias. Só os hospitais de Lisboa assistiram pelo menos 27 feridos. Nessa madrugada os relógios atrasaram uma hora às 2h00: as horas abaixo são já de inverno.
Lisboa Rossio e Praça da Figueira
25 detidos, segundo a PSP. A noite contada pela reportagem do Observador, que esteve no Rossio, com os vídeos de cada momento.
A maior acampada
Uma marcha pelo direito à habitação sai do Marquês de Pombal para o Rossio. Ao fim do dia há cerca de 130 tendas e, segundo os ativistas, umas 300 pessoas, entre assembleias populares e um concerto.
O prazo
A PSP diz que a manifestação termina às 00h30 e que as tendas têm de sair, de uma forma ou de outra. As organizações contestam, invocando a Constituição, e pedem o auto escrito que a própria lei exige. Segundo a advogada que lhes dava apoio jurídico, a polícia disse que, se as tendas saíssem, não haveria intervenção, e recusou escrever o auto. A polícia fecha os acessos aos Restauradores e ao Largo de São Domingos; fica aberta a Rua do Carmo.
A tentativa de mediação
A polícia alinha-se com bastões e escudos. O deputado Fabian Figueiredo fala com os comandos e oferece-se para mediar entre a polícia e a organização. A polícia aceita, mas a tentativa falha.
Os avisos
A polícia dá três minutos para desmontar as tendas e avisa que ficar é crime de desobediência. Em assembleia, a maioria decide ficar. Por volta das 2h00 vem o último aviso: a força pode ser usada. Os acampados chamaram "terror psicológico" às duas horas de espera.

A carga
A Unidade Especial de Polícia avança com bastões e escudos, com cães no local. Os manifestantes protegem-se com portas e tábuas. Há feridos; um jovem sangra da cabeça e é assistido pelo INEM. Às 2h10 o Rossio está vazio.





Praça da Figueira
Os manifestantes fogem pela Rua da Betesga para a Praça da Figueira, onde se improvisa um posto de primeiros socorros; a maioria dos feridos segue para o Hospital de São José. Os confrontos duram mais de meia hora, até a polícia avançar de novo, em direção à Rua da Madalena e ao Martim Moniz.

Mouraria e Graça
Dispersos, grupos fazem barricadas com contentores do lixo na Mouraria e cortam a Avenida Almirante Reis. A noite acaba na Graça.
O balanço
Às 8h, a PSP conta 25 detidos e 5 feridos em Lisboa. Os hospitais desmentem-na: o São José e o Santa Maria confirmam ter assistido pelo menos 27 feridos, e este número não conta quem não foi ao hospital. A Casa para Viver fala em 60 feridos nas duas cidades, alguns graves. A câmara limpa o Rossio.
Porto Praça D. João I
A espera
A PSP tinha dito que os manifestantes podiam ficar na praça, também à noite, desde que retirassem as tendas. Nas horas anteriores chegam mais polícias, e cães, e há empurrões à volta da praça.
A carga
A Unidade Especial de Polícia avança depois de os manifestantes recusarem desmontar as tendas, e rompe o cordão humano formado à frente delas.


O balanço
Seis detidos, que saem da esquadra de manhã, e 54 tendas retiradas. A PSP conta 6 feridos no Porto; a organização, 37 feridos ligeiros e 5 pessoas a receber assistência. Os manifestantes juntam-se à porta da Câmara e dizem que o protesto continua.

Na imprensa

Três avisos em quinze minutos e depois a força, às 6h08, quando, segundo a organização, a maioria dormia. Nesse dia, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, avisou que as acampadas tinham acabado.
Lisboa Rossio
A PSP deteve 55 pessoas por desobediência.


O Observador fez uma reconstituição minuto a minuto, com a hora de cada aviso: ver no YouTube.
A primeira carga, cerca das 2h56, depois de, segundo a organização, os jornalistas terem saído.
Porto Praça D. João I
A organização conta 37 feridos, dois com fraturas. A PSP fala em "comportamentos de resistência". O Ministério Público abriu inquérito a esta carga.




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